Cuidados com a saúde
Pé diabético: 10 cuidados diários para prevenir feridas
Inspecionar os pés todos os dias, cuidar da higiene e usar calçados adequados ajuda a perceber alterações cedo e reduzir o risco de complicações.

O cuidado com os pés faz parte do acompanhamento de toda pessoa com diabetes. A glicose elevada ao longo do tempo pode contribuir para perda de sensibilidade e alterações na circulação. Com isso, um machucado pequeno pode não ser percebido e ter cicatrização mais difícil.
A pauta ganha força com o Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde escolheu o tema “Ação precoce no diabetes”, destacando diagnóstico, acesso ao cuidado e reconhecimento oportuno de complicações. No Brasil, o protocolo atualizado do Ministério da Saúde inclui a avaliação dos pés no acompanhamento da pessoa com diabetes.
O que é pé diabético?
Pé diabético é uma expressão usada para alterações nos pés de pessoas com diabetes que podem envolver nervos, circulação, pele, músculos e ossos. A redução da sensibilidade pode diminuir a percepção de dor, pressão, calor ou frio. Alterações circulatórias também podem dificultar a cicatrização.
Isso não significa que toda pessoa com diabetes desenvolverá uma ferida. Significa que prevenção, exame periódico e resposta rápida a qualquer alteração devem fazer parte da rotina. O Ministério da Saúde orienta avaliação regular dos pés e educação para o autocuidado.
10 cuidados diários para proteger os pés
- 1
Examine os pés todos os dias. Observe a planta, o calcanhar, as laterais, o dorso e os espaços entre os dedos. Procure cortes, bolhas, rachaduras, calos, vermelhidão, manchas, inchaço ou secreção. Use um espelho ou peça ajuda quando for difícil enxergar.
- 2
Lave com cuidado. Use água em temperatura confortável e sabonete suave. Quando há perda de sensibilidade, teste a água com o cotovelo ou peça ajuda para evitar queimaduras.
- 3
Seque especialmente entre os dedos. Encoste a toalha sem esfregar com força. A umidade mantida entre os dedos favorece irritações e infecções.
- 4
Hidrate a pele ressecada. Aplique o produto orientado na parte superior e inferior dos pés, sem passar entre os dedos. Fissuras e ressecamento persistente devem ser mostrados à equipe de saúde.
- 5
Corte as unhas com segurança. Mantenha o corte reto e não retire os cantos profundamente. Dificuldade de visão, tremores, unha encravada, espessada ou deformada são motivos para pedir ajuda profissional.
- 6
Não remova calos em casa. Evite lâminas, lixas agressivas, adesivos e produtos químicos. Calos podem indicar pressão excessiva e precisam de avaliação adequada.
- 7
Use meias limpas e confortáveis. Prefira meias que não apertem e não tenham costuras grossas. Troque-as quando estiverem úmidas e observe se deixam marcas persistentes na pele.
- 8
Escolha calçados que não machuquem. O sapato deve ter espaço para os dedos, bom ajuste e interior sem pontos ásperos. Calçado novo deve ser usado por períodos curtos no início, com inspeção dos pés depois.
- 9
Confira o interior do calçado. Antes de calçar, procure pedras, dobras, objetos, costuras soltas ou partes desgastadas que possam ferir sem serem percebidas.
- 10
Nunca ande descalço. Use proteção inclusive dentro de casa. Areia quente, piso áspero, objetos pequenos e superfícies aquecidas podem causar lesões.

O que não fazer quando aparece uma bolha, corte ou calo
Evite improvisos
- Não fure bolhas nem corte calos com lâmina ou tesoura.
- Não aplique álcool, água oxigenada, ervas, pomadas ou receitas caseiras sem orientação.
- Não cubra a lesão com material sujo, apertado ou que grude na pele.
- Não apoie peso sobre uma área dolorida ou ferida sem receber orientação.
- Não espere vários dias para ver se uma ferida melhora sozinha.
O tipo de limpeza, cobertura e alívio de pressão depende da causa, profundidade, presença de infecção, circulação e condições gerais da pessoa. Um produto adequado para uma ferida pode ser inadequado para outra. Por isso, o tratamento deve ser definido por profissional habilitado.
Sinais que pedem avaliação rápida
| O que observar | Por que não esperar |
|---|---|
| Bolha, corte, rachadura ou ferida | Lesões pequenas podem evoluir sem causar dor quando a sensibilidade está reduzida. |
| Vermelhidão, calor ou inchaço | Podem acompanhar inflamação, pressão excessiva ou infecção. |
| Secreção, mau cheiro ou pele escurecida | Exigem avaliação profissional rápida. |
| Mudança repentina de cor ou temperatura | Pode indicar alteração importante da circulação ou inflamação. |
| Dor nova, perda de sensibilidade ou formigamento | Precisam ser relatados à equipe que acompanha o diabetes. |
| Febre, calafrios ou piora do estado geral | Procure atendimento de urgência, especialmente se houver lesão no pé. |
A ausência de dor não torna uma lesão segura. Na dúvida, entre em contato com a unidade de saúde.
A avaliação profissional não começa somente quando há ferida
A equipe de saúde pode avaliar pele, unhas, formato dos pés, pulsos, sensibilidade, calçados e histórico de feridas. O acompanhamento identifica quem precisa de revisões mais frequentes, palmilhas, calçados específicos, cuidado especializado das unhas ou encaminhamento.
O protocolo brasileiro para diabetes tipo 2 recomenda avaliação dos pés e reforça inspeção diária, higiene, secagem entre os dedos, corte adequado das unhas e uso constante de calçados. Controle da glicose, pressão, colesterol e tabagismo também faz parte da redução do risco, conforme o plano individual.
Como transformar o cuidado em rotina
Associe a inspeção dos pés a um horário fixo, como depois do banho ou antes de dormir. Mantenha espelho, toalha limpa, meias e calçados em local acessível. Quem ajuda no cuidado pode usar o checklist de organização da rotina domiciliar para registrar alterações e contatos da equipe.
Se a pessoa não enxerga bem, tem dificuldade para se abaixar ou apresenta perda de sensibilidade, combine quem fará a inspeção. Fotografias podem ajudar a documentar mudanças para mostrar ao profissional, mas não substituem avaliação presencial.
Perguntas frequentes
O que é pé diabético?
É o conjunto de alterações nos pés associadas ao diabetes, como perda de sensibilidade, problemas de circulação, deformidades, infecção e feridas. Nem toda pessoa com diabetes terá essas complicações, mas a avaliação periódica e o autocuidado ajudam a identificá-las cedo.
Quem tem diabetes deve examinar os pés todos os dias?
Sim. A inspeção diária ajuda a perceber bolhas, cortes, rachaduras, áreas avermelhadas, inchaço e outras mudanças que podem passar despercebidas quando há redução da sensibilidade.
Pode furar uma bolha ou cortar um calo em casa?
Não. Bolhas, calos e feridas não devem ser perfurados, cortados ou tratados com substâncias caseiras ou removedores químicos. Procure avaliação profissional.
Precisa organizar os cuidados em casa?
Converse com a equipe da Sertão Hospitalar sobre produtos para cuidados domiciliares. Feridas, alterações de cor, calor, inchaço ou dor devem ser avaliados por profissional de saúde; não escolha curativos ou tratamentos por conta própria.
Falar com a Sertão HospitalarReferências e fontes consultadas
- Organização Mundial da Saúde. World Diabetes Day 2026: Early action on diabetes. 2026. Disponível em: World Diabetes Day 2026: Early action on diabetes — página oficial. Acesso em 26 out. 2026.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. 2026. Disponível em: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2 — página oficial. Acesso em 26 out. 2026.
- Ministério da Saúde. Manual do Pé Diabético — estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica. 2026. Disponível em: Manual do Pé Diabético — estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica — página oficial. Acesso em 26 out. 2026.
- Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Serviço de tratamento de pé diabético e feridas crônicas realizou mais de 3,4 mil atendimentos em 2026. 2026. Disponível em: Serviço de tratamento de pé diabético e feridas crônicas realizou mais de 3,4 mil atendimentos em 2026 — página oficial. Acesso em 26 out. 2026.
Conteúdo educativo da Equipe Sertão Hospitalar. Não substitui consulta, diagnóstico, prescrição, treinamento ou acompanhamento por profissional habilitado.


