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Cuidados domiciliares

Paciente acamado: como prevenir lesões por pressão em casa

Atenção com a pele, reposicionamento no leito e controle da umidade são fundamentais para evitar feridas e complicações.

Equipe Sertão HospitalarPublicado em 29 de agosto de 2026Revisado em 29 de agosto de 20267 min de leitura
Cuidadores auxiliando uma pessoa idosa acamada durante os cuidados no leito

Pessoas acamadas, com mobilidade reduzida ou que permanecem muito tempo na mesma posição precisam de cuidados especiais com a pele.

A pressão prolongada, principalmente sobre áreas ósseas, pode prejudicar a circulação local e favorecer o aparecimento de lesões.

Essas alterações são chamadas tecnicamente de lesões por pressão. Muitas pessoas ainda utilizam a palavra “escaras”, mas esse não é o termo técnico mais atual.

A prevenção precisa fazer parte da rotina do paciente, da família, do cuidador e da equipe de saúde.

O que é uma lesão por pressão?

É uma lesão que pode surgir quando a pele e os tecidos permanecem submetidos à pressão, ao atrito ou ao deslizamento por determinado período.

Calcanhares, tornozelos, quadris, cotovelos, parte posterior da cabeça e região próxima ao cóccix estão entre os pontos que merecem atenção.

O risco pode ser maior em pessoas:

  • Acamadas;
  • Com dificuldade para mudar de posição;
  • Que utilizam cadeira de rodas por longos períodos;
  • Com perda de sensibilidade;
  • Com incontinência;
  • Com alimentação ou hidratação inadequadas;
  • Muito debilitadas;
  • Com circulação comprometida;
  • Em recuperação após cirurgias;
  • Que utilizam dispositivos apoiados continuamente sobre a pele.

1. Observe a pele diariamente

A inspeção diária ajuda a perceber alterações logo no início.

Durante o banho e a troca de roupa, observe:

  • Vermelhidão persistente;
  • Mudança de cor;
  • Aumento de temperatura;
  • Endurecimento;
  • Inchaço;
  • Dor;
  • Ardência;
  • Bolhas;
  • Feridas;
  • Áreas arroxeadas ou escurecidas.

Em peles mais escuras, a alteração pode não aparecer como uma vermelhidão evidente. Compare com as áreas próximas e observe temperatura, consistência, dor e mudança de tonalidade.

Não massageie áreas avermelhadas, doloridas ou sobre proeminências ósseas.

Profissional observando uma pessoa idosa durante os cuidados realizados no leito
A observação diária da pele permite identificar alterações e procurar orientação profissional mais cedo.

2. Mude o posicionamento conforme o plano de cuidados

Evite que a pessoa permaneça durante períodos prolongados na mesma posição.

A frequência e a forma do reposicionamento devem ser individualizadas pela equipe de saúde, considerando:

  • Condição clínica;
  • Mobilidade;
  • Estado da pele;
  • Dor;
  • Colchão utilizado;
  • Tolerância às posições;
  • Risco identificado;
  • Eventuais contraindicações.

A frequência de mudança de decúbito deve seguir a avaliação profissional de cada paciente, sem a definição de uma regra universal obrigatória.

Familiares e cuidadores devem receber orientação sobre como mudar a posição sem provocar quedas, lesões ou desconforto.

3. Proteja os pontos de maior pressão

Calcanhares, cotovelos, quadris e a região sacral precisam ser avaliados com atenção.

Travesseiros, coxins e apoios podem ser utilizados quando indicados e posicionados corretamente.

Não utilize boias ou objetos improvisados que concentrem ainda mais a pressão.

Os calcanhares podem precisar ser mantidos sem contato direto com o colchão, mas a técnica deve ser ensinada pela equipe responsável.

4. Evite arrastar a pessoa no leito

Arrastar o corpo sobre o lençol provoca atrito e pode lesionar a pele.

Para movimentações e transferências, utilize técnicas adequadas e peça ajuda quando necessário.

Lençóis móveis, dispositivos de transferência e outros recursos podem auxiliar, desde que usados corretamente.

O cuidador não deve tentar realizar sozinho uma movimentação que coloque o paciente ou a si próprio em risco.

5. Mantenha a pele limpa e seca

Umidade causada por suor, urina, fezes ou secreções pode fragilizar a pele.

Realize a higiene com delicadeza, utilizando produtos adequados e secando sem esfregar.

Quando houver incontinência, as trocas precisam ocorrer sempre que necessário. Produtos de proteção da pele devem ser utilizados conforme orientação profissional.

Não aplique receitas caseiras, álcool, talcos ou substâncias irritantes sobre áreas lesionadas.

6. Cuide dos lençóis e das roupas

Mantenha lençóis:

  • Limpos;
  • Secos;
  • Bem esticados;
  • Sem migalhas;
  • Sem dobras;
  • Sem objetos escondidos.

Roupas e fraldas não devem ficar excessivamente apertadas.

Botões, costuras, sondas, tubos e outros dispositivos também podem pressionar a pele.

7. Avalie colchões e superfícies de apoio

Colchões e almofadas de redistribuição de pressão podem fazer parte do plano preventivo.

A escolha depende do risco, peso, mobilidade, condição clínica e orientação da equipe de saúde.

Esses produtos não eliminam a necessidade de observar a pele, controlar a umidade e reposicionar o paciente.

Superfícies de apoio não previnem lesões de forma isolada sem os demais cuidados de higiene e posicionamento.

8. Observe alimentação e hidratação

A alimentação e a hidratação participam da manutenção da pele e da recuperação do organismo.

Pessoas com perda de peso, dificuldade para engolir, pouco apetite ou dieta enteral precisam de acompanhamento profissional.

Não indicar quantidades, suplementos ou dietas específicas sem avaliação profissional.

Para quem utiliza sonda para nutrição, veja também nosso guia educativo sobre dieta enteral em casa: cuidados essenciais com preparo, armazenamento e rotina.

9. Cuide também de quem utiliza cadeira de rodas

Pessoas que permanecem sentadas por períodos prolongados também podem desenvolver lesões por pressão.

É importante avaliar:

  • Postura;
  • Distribuição do peso;
  • Dimensões da cadeira;
  • Almofada utilizada;
  • Apoio dos pés;
  • Condição da pele;
  • Capacidade de aliviar a pressão.

Confira também nossas recomendações sobre como escolher cadeira de rodas: 8 pontos importantes para garantir o suporte postural adequado e a proteção da pele.

Quando procurar um profissional?

Procure a equipe de saúde ao identificar:

  • Vermelhidão que não desaparece;
  • Mancha arroxeada ou escurecida;
  • Bolha;
  • Ferida;
  • Secreção;
  • Mau cheiro;
  • Sangramento;
  • Dor nova;
  • Pele quente ou endurecida;
  • Febre;
  • Piora rápida da área.

Não tente cortar tecidos, furar bolhas ou realizar curativos complexos sem orientação.

A avaliação precoce ajuda a definir os cuidados adequados e pode evitar o agravamento.

Prevenção exige uma rotina individualizada

Não existe um único produto ou horário que sirva para todas as pessoas.

A prevenção envolve avaliação de risco, observação da pele, posicionamento, controle da umidade, nutrição, equipamentos adequados e orientação aos cuidadores.

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Referências e fontes consultadas

Créditos das fotografias:

  • Imagem principal: Foto de Kampus Production/Pexels.
  • Imagem interna: Foto de Jsme MILA/Pexels.

Conteúdo educativo da Equipe Sertão Hospitalar. Não substitui consulta, diagnóstico, prescrição, treinamento ou acompanhamento por profissional habilitado.

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